OS DESAFIOS DOS FRIGORÍFICOS NA PRODUÇÃO DE GADO

Anos após o relatório do Greenpeace que chamou a atenção da comunidade internacional sobre a responsabilidade dos frigoríficos no desmatamento da Amazônia, os principais exportadores de carne bovina no país evoluíram muito na fiscalização e monitoramento dos fornecedores de gado, sendo barrados aqueles que se encontram em situação irregular.

O exposto, porém, não é suficiente para evitar o prejuízo ao meio ambiente. Hoje, o principal gargalo está no fornecimento indireto, isso porque, os sistemas de monitoramento não conseguem certificar a regularidade do criador de bezerro ou do boi magro que vende o animal ao produtor para engorda.

Ressalta-se que o desmatamento e e algumas manifestações do Governo intensificaram, no ano passado, a pressão sobre as grandes indústrias que adquirem boa parte do gado da Amazônia. Repise-se que dados do IBGE apontam crescimento de 20x do rebanho bovino amazônico, desde 1974.

Ocorre que, a resposta ao problema ambiental não depende, apenas, das indústrias sendo necessária manifestação do Governo, nesse sentido. Os frigoríficos sugerem mudanças, no ponto de vista regulatório, para viabilizar um controle mais efetivo do fornecimento indireto de forma que, hoje, os documentos que regulam a movimentação do gado não são de acesso público.

As grandes indústrias insurgem, porém, com uma questão: estes apontam que não basta um movimento de monitoramento exclusivo aos grandes, sendo necessário, também, uma regulação a ser operada sobre as indústrias de médio e pequeno porte. A manifestação, porém, é rebatida.

Outra medida necessária é a regularização dos pequenos produtores, pois, sem essa, temos a geração de um problema de exclusão social.

Assim, enquanto uma medida de caráter nacional não é tomada, os Estados e a própria iniciativa privada começam a agir. No Pará, está sendo formada uma força-tarefa ente setores público e privado, para combater o problema dos indiretos, além disso, para combater o problema o governo do Estado alocará R$ 92 milhões, recebidos com a Operação Lava-Jato.

Para auxiliar no problema, assume relevância a iniciativa do Governo britânico denominada de Partnerships for Forests (P4F) que lançará uma plataforma de rastreabilidade do gado, utilizando a tecnologia blockchain como aliada. A ideia é criar uma plataforma capaz de cruzar dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e da Guia de Trânsito Animal (GTA) de pecuaristas dispostos a fornecer suas informações de maneira voluntária.

Ainda, a JBS trabalha com projetos embrionários como a criação do Guia de Trânsito Animal para fins ambientais, ou o “GTA Verde” que tem como condão a conexão do GTA com documento de controle sanitário, usado para verificar o cumprimento das vacinas obrigatórias e conter eventuais surtos de doenças. O plano atual, porém, não traz a impossibilidade de emissão de guias, pois, isso poderia culminar em um comércio clandestino.

Já na Marfrig, segunda maior indústria de carne bovina do mundo, está em curso a criação de um mapa de mitigação de riscos de fornecedores indiretos que, basicamente, pretende sobrepor mapas de áreas de produção de bezerros com mapas de áreas de vegetação nativa.

Por fim, a Minerva, terceira maior indústria de carne bovina do país, também tenta minimizar os riscos com a feitura de mapeamento interno de seus fornecedores, com vistas a observar quem faz o “ciclo completo”, ou seja, aquele que atua em toda a cadeia de produção do bovino. Esses produtores, em tese, são menos suscetíveis a problemas.

As informações apresentadas no texto foram extraídas de notícia veiculada no Valor Econômico, de produção de Marina Salles e Luiz Henrique Mendes.

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